História do teclado: veja como este periférico tão importante foi pensado

O teclado é o principal periférico de entrada do computador. É quase impossível pensar em trabalhar ou estudar diante do PC sem este componente, que desde meados do século XX permite a interação humana com as máquinas de processamento de dados.

Conheça a seguir a história da criação e evolução do teclado - desde a máquina de escrever aos teclados virtuais-, que há muito tempo invadiu smartphones e tablets e marcou presença definitiva no nosso dia a dia.

Máquina de escrever e o legado do QWERTY
Mesmo quem nunca precisou digitar em uma máquina de escrever sabe que a posição das teclas é idêntica a do teclado do PC. O design, denominado QWERTY por causa das seis primeiras letras da fileira de cima, foi herdado por um motivo óbvio: por volta da década de 40, quando surgiram os primeiros computadores, as máquinas de escrever já eram populares há muito tempo. Transportar o layout de um aparelho para o outro foi um passo natural para facilitar a adaptação ao novo dispositivo.

Mas, não é tão óbvio assim o motivo pelo qual as máquinas de escrever têm esse design. O idealizador do modelo QWERTY, Christopher Latham Sholes, implementou essa formatação em uma máquina fabricada em 1868. A razão? Diminuir a velocidade da digitação. Sim, é isso mesmo. Na época, os tipos – aquela peça de metal com os caracteres na ponta – travavam quando as pessoas datilografavam rápido. Trocar a posição das teclas, tirando-as da ordem alfabética, foi um jeito de conseguir esse feito.

Pode reparar: na segunda fileira do seu teclado há uma boa sequência de letras em ordem alfabética – ou quase. Os caracteres D, F, G, H, J, K e L ficam um do lado do outro. Nessa série só não estão presentes as letras E e I, colocadas para cima justamente porque são muito usadas na língua inglesa. Pela mesma razão, outra letra muito frequente, A, foi deslocada para o canto esquerdo, tendo que ser pressionada pelo dedo mindinho.
O problema de travamento nunca se aplicou aos computadores, é claro, mas não teve jeito. A tradição fez com que o teclado QWERTY se transformasse no padrão de uso global até os dias atuais, repletos de teclados virtuais em smartphones e tablets.

Entrada de dados por teclas
A máquina de escrever não é o único ancestral do teclado. O periférico também foi influenciado pelo teletipo – também conhecido como teleimpressor -, e pelo perfurador de cartão. A herança aqui diz respeito não apenas à forma, mas também à finalidade, já que ambos desempenharam papel importante na entrada e comunicação de dados eletromecânicos.

Uma espécie de teletipo rudimentar já era usado em 1870 na bolsa de valores dos Estados Unidos para impressão de texto transmitido via cabo. O aparelho, que trazia um teclado igual ao das máquinas de datilografia, foi usado durante quase todo o século XX para envio e recebimento de mensagens mecanografadas, fosse ponto a ponto ou ponto a multipontos. Nas versões mais modernas, um monitor substituía a impressora.

O perfurador de cartão, por sua vez, era dispositivo que criava os cartões perfurados, principal método de entrada, saída e armazenamento de dados dos computadores antigos. Um dos primeiros perfuradores foi desenvolvido em 1890, por Herman Hollerith, um dos fundadores do que viria mais tarde a se transformar na IBM. Já por volta de 1930 os perfuradores incorporaram teclas de texto e número semelhantes às máquinas de escrever.

Teclado em computadores
Ainda na década de 40 os computadores incorporaram o teclado como periférico de entrada. Desenvolvido em 1946 e considerado um dos primeiros computadores do mundo, o Eniac ainda contava somente com leitor de cartão perfurado, mas ele foi usado apenas pelo Laboratório de Pesquisas Balísticas do Exército dos Estados Unidos.

O primeiro computador eletrônico vendido na história, o Binac, surgia já em 1949 com uma máquina de escrever controlada eletro-mecanicamente. O dispositivo conseguia realizar entrada de dados diretamente na fita magnética, assim como imprimir os resultados processados pela CPU.

Em 1965, o MIT, a Bell Laboratories e a General Electric criaram o Multics, um sistema multiusuário e de tempo compartilhado. O sistema operacional incentivou o desenvolvimento de uma nova interface de usuário, o terminal de exibição de vídeo, que combinou a tecnologia usada nas TVs de tubo da época com as máquinas de escrever elétricas. Como nunca antes, os usuários passaram a conseguir ver os caracteres que estavam digitando.

O teclado ficou como praticamente único periférico de entrada até a chegada do mouse nos PCs, na década de 1980. A tela do usuário, até então preenchida quase que exclusivamente com texto, passou a dividir espaço com ícones e gráficos comparativamente ricos. Ainda assim, o teclado permaneceu central na interação humana com o computador.

O teclado hoje
A grande variedade de dispositivos atualmente faz com que existam diversos tipos de teclado. Os mais comuns nos PCs e notebooks ainda são os de membrana, que podem ser encontrados por preços a partir de R$ 20. Eles se caracterizam por ter uma peça única de silicone no interior (a membrana), através da qual o acionamento é feito ao pressionar uma tecla.

Uma variação mais sofisticada dos modelos convencionais é o teclado mecânico. Por fora o design é o mesmo, mas internamente há uma diferença crucial: cada tecla possui um conjunto de interruptor e mola individuais, fazendo com que o tempo de resposta seja bem mais curto. O usuário também tende a se cansar menos com essa versão, pois o mecanismo requer pouca força nos dedos.

Usado principalmente por gamers, os teclados mecânicos são mais caros. Modelos intitulados semi-mecânicos custam em torno de R$ 170, enquanto os mecânicos “de verdade” têm preços variando de R$ 200 até impressionantes R$ 3.500. O Razer Ornata, por exemplo, custa R$ 699 em sua versão mais barata e R$ 799 na mais cara, o Chroma, que tem luz de fundo em diversas cores.

Há ainda os teclados flexíveis, que saem por aproximadamente R$ 100. Eles duram menos, mas têm a facilidade de transporte como apelo. Na mesma linha e faixa de preço estão os projetores de teclado virtual, ideais para conexão com celulares e tablets, garantindo digitação mais confortável do que os teclados nativos desses aparelhos. Naturalmente, vários fatores influenciam no preço de um teclado, como conectividade, presença de teclado numérico à parte, compatibilidade com dispositivos móveis etc.

A lista de modelos de teclado disponíveis hoje é enorme. Afinal, o periférico é tão importante no dia a dia que é quase certo que você use pelo menos dois tipos diferentes. Mesmo com tantas tecnologias novas para entrada de dados – reconhecimento de voz e gestos, impressão digital – o teclado ainda é o que comanda seu PC, notebook, smartphone e tablet. E assim deve seguir por um bom tempo.

 

 

Fonte: http://www.techtudo.com.br